Conversando Ricardo Merjan do Molho Cultural

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Na noite de sexta-feira, 06 de junho, aconteceu no 21 Music Bar, em Campo Grande – MS, mais um edição do evento Molho Cultural. Evento esse que está se consolidando como um ótima opção para quem quer ouvir boa música autoral e independente tanto do próprio Estado quanto de fora. Não à toa, já passaram por lá Dombraz, Sarravulho, Jennifer Magnética, Curumim, Perez, Black Drawing Chalks. Neste último, a casa ficou cheia para conferir e entoar as músicas de Jerry & Pétalas de Pixe, Dani Black e Chá Noise.

Apesar de ainda desconhecidos para o grande público, talvez um pouco menos no caso de Dani Black, por já estar galgando um pequeno espaço na mídia maior,foi interessante e impressionante notar como a maioria presente sabia acompanhar com ritmo e letra a apresentação de cada artista.

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Dani Black (centro) acompanhado de Fi Maróstica (esquerda) e participação de Jr Matos (direita).

Pois bem. Como eu já iria como público apreciador, aproveitei para entrar em contato com os organizadores e conseguir uma brecha para produzir fotos e conteúdo para o Bom Tom. Com ajuda dos amigos Nanda Ebling e Jerry Espíndola; ela, por fazer a ponte com os organizadores; e ele, por me passar alguns detalhes de como funcionaria os bastidores; consegui contato e papear com Ricardo Merjan, um dos organizadores/idealizadores,  para conhecer melhor os pormenores do Molho Cultural.

O que é e quando surgiu o Molho Cultural? Qual a missão?

O Molho Cultural é um projeto que visa propagar cultura (a princípio, musical) à cidade de Campo Grande. A ideia é incentivar a produção de música autoral e a consolidação da cena independente, com a principal forma de trabalho trazer bandas de certo renome de fora do estado, divulgando e trabalhando dentro ou entre esses eventos, grupos musicais regionais. Com isso é viabilizada a troca de cultura entre outros estados, entre grupos musicais de estilos diferentes, como já trouxemos a banda Black Drawing Chalks (de Goiânia) que se encaixa no “Stoner Rock” (tocaram em festivais no Reino Unido, EUA, Canadá e Colômbia) e também os campograndenses da banda Dombraz, que tem por sua vez um forte apelo ao samba de raiz.

O projeto é encabeçado por Ricardo Merjan, Marcel Ribeiro e Rafael Porto, ambos anteriormente ao projeto já conectados com a cena cultural de alguma forma, se juntaram para trazer de volta o molho de cultura que Campo Grande tinha mais forte a alguns anos atrás. O projeto está com quase um ano (12 eventos em 11 meses) e aposta na união dos grupos musicais e produtores, sempre apostando na produção autoral local e fomentando a criação de um núcleo conciso de integração e difusão de cultura em nossa cidade.

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Adrian Okumoto, Xaras Gabriel e Anédio Izumi do Chá Noise

Qual a forma de patrocínio/financiamento que tens para esse movimento?

Tivemos alguns eventos em que apoiadores de cultura entraram com uma cota de patrocínio em troca de exibição de suas marcas, mas infelizmente é raro. A música autoral que ainda não atingiu a mídia, carrega sempre o desinteresse e preconceito pelas massas. Não é aquilo que as pessoas já estão acostumadas, escutam na rádio ou veem um clipe na TV. Isso atinge financeiramente de forma direta os eventos onde são propagados tais artistas.

Houve alguma mudança de público conforme foram acontecendo os eventos do Molho? Mais exigentes com as atrações?

Sim, os molhos mais “rock’n’roll” não tomaram tanta projeção quanto os molhos de ritmos brasileiros. Antes do Molho ser criado, entramos em contato com várias bandas e produtores locais para saber a viabilidade e aceitação do projeto por conta dos músicos, esses que em sua maioria tinham o Rock como base musical. A proposta sempre foi mesclar tudo que fosse produção local, como o próprio nome diz, fazer um Molho com tudo dentro, sem preceitos. O que se viu foi somente uma preferência, um nicho do público que abraçou mais a causa.

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Fabrízia Souza, Jerry Espíndola e Michelle Meza do Jerry & Pétalas de Pixe

Como funciona a escolha de bandas para cada evento: por agenda simplesmente, mesclar estilos ou ambos?

Por agenda, basicamente.

Para você, que está diretamente inserido na produção de eventos culturais/musicais, tem sentido que a produção musical do MS tem crescido, diversificada ou ainda está estagnada?

Apesar de já ter sido melhor, ela está crescendo. A internet e sua facilidade de acesso e distribuição de material tem um papel crucial nisso tudo. É muito interessante quando a pessoa procura o material do artista na internet, aprende as letras e chega no primeiro show sabendo cantar algumas músicas já. Acho que cada vez mais pessoas estão despertando e se ligando que existe muita música boa sendo escrita, produzida e gravada aqui em nossa cidade. Como nós atiçamos nossos leitores das redes sociais: “Saia da correnteza”. Eles se encantariam com a imersão de cultura que um evento de música autoral propõe.

Quando acontecerá o próximo Molho Cultural e quais artistas participarão?

A previsão para o próximo Molho é de logo após a Copa do Mundo mas ainda não sabemos quais artistas subirão ao palco desta próxima vez.

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Confira a galeria de fotos.

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