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Ler, ver, ouvir: curtindo a música brasileira

11 capítulos. 750 páginas. 300 discos. 4,5 mil músicas. Acredito que isso seja o suficiente para atiçar a sua curiosidade a respeito do livro Curtindo Música Brasileira – Um guia para entender e ouvir o melhor de nossa arte, do jornalista Alexandre Petillo, parcerias com os também jornalistas Zé Dassilva, Eduardo Palandi e o designer Erick Miranda. Ótimo para quem quer conhecer em minúcia discos que fizeram a diferença de 2013 para trás e de todos nossos gêneros musicais.

Curtindo Música Brasileira segue a linha do famoso listão-em-forma-de-livro 1001 discos para ouvir antes de morrer, que nos indica quais o discos internacionalmente mais importantes com resenhas de cada um. Além disso, há o diferencial de conter um breve histórico de cada gênero ao início de cada capítulo; uma lista de músicas “essenciais” e dicas do que ler (livros) ou ver (documentário/show) ao final do capítulo; e listas de músicas e cds de artistas e conhecedores de música como Fagner, Rolando Boldrin, Washington Olivetto, Lô Borges, Casuarina, etc.

No meu caso, confesso que ainda não consegui passar o primeiro capítulo sobre o samba que abre com o disco Cartola II do gênio boêmio Cartola. Sem contar que por muito tempo ignorei a nossa música brasileira, por dar preferência aos pop e rock norte-americano, e agora me delicio com essas dicas que me permitem ser mais musicalmente brasileiro. curtindo[4] E o mais interessante disso tudo é que comecei a me interessar por música brasileira após começar a estudar piano e entrar em contato direto com jazz norte-americano e percebe-lo sendo uma mescla de vários estilos musicais com pitadas próprias de cada nação. Ou seja, cheguei a conclusão de que precisava conhecer melhor o que me rodeia para depois, se for o caso, aplicar ao meu conhecimento musical.

Enfim. Como disse acima, estou me deliciando com as dicas de Alexandre Petillo e sua trupe. Gostaria que acontecesse o mesmo com quem lesse esse livro. Ainda mais por termos acesso a esse acervo tão facilmente hoje em dia na internet. Divirta-se!

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Ler, ver, ouvir

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Dave Grohl (Foo Fighters) tomou gostou pela direção de documentário, mesmo. Depois do ótimo Sound City (2013), filme que conta as histórias peculiares desse estúdio nos quais foram gravados trabalhos de Johnny Cash, Neil Young, Guns’n’Roses e também o estrondoso Nevermind do Nirvana, Grohl uniu-se a HBO para a docuserie Sonic Highways, série documental em que irá atravessar os Estados Unidos para gravar em oito estúdios ícones (Chicago, Austin, Nashville, Los Angeles, Seattle, Nova Orleans, Washington D.C. e Nova Iorque)., entrevistar músicas e contar sobre as raízes musicais dessas cidades.

Sem contar que a produção do novo álbum da Foo Fighters, disco sucessor de Wasting Light, está diretamente atrelada a esse documentário. Sendo que em cada estúdio por onde passou, foi gravado uma música para esse vindouro trabalho. Cada episódio terá duração de uma hora. Foi escrito por Dave Grohl e Mark Monroe, e foi produzido em conjunto por James A. Rota, John Ramsay e Therapy Studios. Estréia no segundo semestre de 2014.

fm
Se tem algo que pouco se vê por aí, é rádio que se volta para um conteúdo musical diverso sem parecer chato e inadequado. Felizmente a FM Cultura de Porto Alegre, da Fundação Cultural Piratini existe. Como mesmo está descrito no site da rádio “A programação de ambos os veículos prima pela valorização dos bens constitutivos da nacionalidade brasileira, peculiaridades regionais e do folclore do Estado. Além disso, propõe a livre manifestação de pensamento, de criação, de expressão e de informação, sob qualquer forma, não praticando censura de natureza político-ideológica ou artística.”.

O que muito chama atenção não é  só essa diversidade musical, mas também por dar importância, em vários programas, a todos os músicos envolvidos nos trabalhos tocados, dizendo o nome de cada um; dizendo o histórico/contexto em outros; entrevista-los. Coisa que dificilmente acontece em rádio comerciais.

Ouça a programação do vivo através os site http://www.fmcultura.com.br. Se você perder algum programa, não tem problema. A rádio disponibiliza os programas gravados do dia, na íntegra, no Mixcloud. O ruim é o fato de ser para ouvir apenas nesse site. Facilitaria a audição caso tivesse a opção para baixar o arquivo ou existisse uma assinatura como podcast,  e ouvir quando melhor conviesse ou não tivesse uma conexão de internet boa o suficiente para ouvir online.

livro
Como ouvir e entender música. A premissa desse livro é ensinar, ou pelo menos auxiliar, interessados, estudantes de música  e leigos a entender os componentes que formam uma música (ritmo, harmonia, melodia, timbre) e consequentemente ter uma melhor apreensão do que se está ouvindo.   E até mesmo para mostrar que composição musical não é um processo que “cai do céu” por envolver vários elementos além de uma boa ideia.

Outra coisa já sabida por alguns e ignorada por muitos,  não há maneira melhor de aprender a ouvir música que não seja ouvindo música, que nos oportunizemos a prestar mais atenção ao que está acontecendo na caixinha de som, mesmo que você não entenda teoricamente sua mecânica pois, afinal, é também sensório por envolver o emocional tanto de quem ouve quanto de quem faz música. É disso que também trata o livro.

Como mesmo está na descrição do livro “O que o autor pretende é conduzir a uma audição inteligente, na qual o ouvinte deixe de ser um elemento passivo para tornar-se alguém que estabelece um diálogo com a música. Não importa se você ouve Mozart ou Duke Ellington: as sugestões de Copland levarão a uma apreciação muito mais profunda desta arte tão presente e prazerosa.” A presente edição traz uma novidade em relação tanto ao original quanto à primeira edição brasileira: um CD com a gravação de cada exemplo, a fim de facilitar a compreensão do ouvinte pouco familiarizado com a linguagem das partituras – um diferencial que tornará esta obra ainda mais acessível a todos os públicos.

Ler, ver, ouvir

Antes que fiquemos sem música

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Recentemente vi esse documentário Before the music dies (2006), dirigido por Andrew Shapter. Por mais que seja bom, com opiniões convincentes e pertinentes de muitos grandes cantores e produtores, eu o achei datado por tratar dos excessos da indústria musical norte-americana e seus enlatados, algo que já é sabido por todos. Por nivelar por baixo e produzir músicas e artistas/bandas seguindo roteiros e fórmulas prontas e com excessivos retoques em pós produção. Sem contar que fazem um apanhado do que é essa tal indústria, a criticam mas não apresentam soluções para que melhores cantores tenham mais espaço entre tantos pasteurizados.

Sola de sapato gasta de tanto rock’n’roll

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Foto por Punto Aureo Estudio

Enquanto Tereréfonia, produzido por Toninho Porto, segundo álbum da banda Dagata e os Aluízios não fica pronto, para nossa alegria foi liberado um vídeo de bastidores da gravação do mesmo, em que a música mostrada é um versão crua de “Sapato gasto”, captada diretamente da caixa de som  pelo pessoal do pessoal do Punto Aureo Estudio, que está produzindo os vídeos. Um bom rock’n’roll com riffs de guitarra bem marcante.

Veja mais sobre Dagata no Bom Tom

Álbuns de jazz desse começo de ano

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No quesito música internacional, a NPR (National Public Radio) tem me servido de base para conhecer nomes de vários gêneros musicais que possivelmente não conheceria por muitas vezes não serem bandas/cantores conhecidos pelo grande público, mas não de menor qualidade musical. No começo de fevereiro, Patrick Jarenwattananon, jazzista e editor do A Blog Supreme, seção de jazz da NPR, selecionou 5 bons discos lançados nesse começo de 2014.

Clique no link e confira http://n.pr/1fQ0j4E

O fim da fidelidade musical

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Essa reportagem O fim da alta fidelidade, por Robert Levine, lançada em 2008 na revista Rolling Stone até parece, nas devidas proporções, conversa que sempre tenho com o amigo Simão Gandhy durante as gravações do Bom Tom. Sempre falamos o quanto os arquivos em mp3 limam todas as nuances de uma música, fazendo com que percamos características preciosas de uma produção musical. E o quanto é gratificante e gostoso ouvir música em alta qualidade para que consigamos sentir melhor a dinâmica instrumental e vocal do que se ouve. E, claro, isso o mp3 e muito menos as caixinhas do pc do pc ou fones de ouvidos de má qualidade que encontramos por aí nos permitem tal qualidade.

No caso do texto da revista, o assunto foi mais aprofundado. Nos dá detalhes que confirmam essa nossa suspeita de baixa fidelidade sonora nos arquivos digitais, por utilizarem técnicas de compressão dinâmica “que reduz a diferença entre os sons mais altos e os mais suaves em uma música”. Como mesmo dito, uma “guerra sonora” que nos causa fadiga auditiva por nivelarem pelo alto (e isso não é bom!), no caso, nivelam pelo mais alto volume e perdendo definição. O trecho abaixo nos mostra um pouco disso que estamos falano.

Assim como os cds acabaram com o vinil e com as fitas cassete, o MP3 e outros formatos digitais estão rapidamente derrubando os CDs como a forma mais popular de se ouvir música. Isso significa mais conveniência, mas som pior. Para criar um MP3, o computador copia a música de um CD e a comprime em um arquivo menor, excluindo a informação musical que o ouvido humano tem menos probabilidade de perceber. Muita informação eliminada está nos extremos do espectro, por isso o MP3 parece não ter nuances. O produtor Rob Cavallo diz que os MP3s não reproduzem bem a reverberação, e a falta de detalhes torna o som “quebrado”. Sem sons graves suficientes, ele diz, “não há força. O som do bumbo da bateria diminui, assim como a forma como o alto-falante é empurrado quando o guitarrista toca um acorde mais forte”.

Leia a reportagem completa http://bit.ly/1hUqmgb

Ver, ler, ouvir

100 maiores músicas de jazz

Thelonious Monk e sua Town Hall Band durante ensaio. (W. Eugene Smith)

Thelonious Monk e sua Town Hall Band durante ensaio. (W. Eugene Smith)

Thelonious Monk (foto), Charlie Parker, Louis Armstrong, Mile Davis, Dave Brubeck, Duke Ellington, John Coltrane, Chick Corea, Bill Evans, Cannonball Adderley. Preciso dizer mais alguma coisa? Para quem não conhece, esse nomes citados são apenas alguns do grandes nomes do jazz e estão na lista. Ou seja, uma ótima oportunidade para conhecer clássicos Para quem é fã de jazz ou está a fim de conhecer, essa lista feita pelo site Deezer é uma ótima oportunidade para conhecer ou simplesmente reouvir clássicos desse gênero.

Ouça gratuitamente http://www.deezer.com/playlist/519286473

Elvis Presley e o nascimento do rock’n’roll

(Alfred Wertheimer)

(Alfred Wertheimer)

Em 1956, um assessor de imprensa da RCA Records não tinha ainda nenhum registro de um certo cantor desconhecido chamado Elvis Presley e contratou o fotógrafo Alfred Wetheimer para fazer fotos da apresentação no programa Stage Show no canal CBS. Após fotografa-lo durante o ensaio e show, Wetheimer fez registros dos bastidores, na intenção de mostrar o artista em situações mais tranquilas. Após isso, o fotógrafo conseguiu que Elvis o deixasse acompanha-lo por mais alguns momentos, como gravação em estúdio ou voltando para casa de trem, quando ainda podia circular livremente. Conseguindo, então, registros mais íntimos de um cantor que se tornaria “rei” logo em breve e também o único a conseguir essa aproximação com o futuro astro.

As fotos dessa galeria estão no livro  Elvis and the Birth of Rock and Roll de Alfred Wetheimer (Editora Taschen).Se tiver $ 700 disponíveis, clique no link para adquiri-lo http://bit.ly/1mh09u0

Veja a galeria e mais detalhes em http://bit.ly/Elvis_Alfred

Popular SA

2013-04-23-mc-anita-babado-e-confusao-querida-4

A site da revista Exame publicou um artigo interessante a respeito de como são fabricados os artistas populares no Brasil. E como todos imaginam, essa produção em massa desses artistas se assemelha ao ritmo e funcionamento de qualquer empresa, em que objetivos e metas financeiras são traçadas e aonde o talento musical ou artístico é o que menos importa.

Separei trechos que confirmam o dito acima.

” No universo pop, qualidade musical e talento não são sinônimos. A afinação da voz, a riqueza da letra ou a complexidade da composição em geral importam menos que o corpo sarado, o volume alto e o refrão pegajoso”

”  Uma vez descobertos por empresários e produtores, os amadores talentosos recebem um investimento, como ocorreu com Anitta, para aprimorar aspectos técnicos. Para alcançar o estrelato profissional, os projetos de astro passam por um processo de fabricação, muitas vezes intenso, cheio de frustrações e sem garantia de recompensa no final.”

Não é nenhuma novidade, claro. Afinal é parte de uma indústria do entretenimento que sempre existiu e existirá. Para não acharmos que isso é característica de nosso tempo frenético, esse tipo de comercialização já existia, para citar um exemplo apenas, desde os primórdios do Jazz, gênero hoje de nicho. O jazz só tomou popularidade a partir do momento em que foi se misturando ao ritmos mais populares e, então, conseguia lotar de jovens salões de show em Nova Iorque. Talvez estejamos em tempos mais preocupantes quanto ao rumo da música, já que o problema não é ser popular mas, sim, de má qualidade. Porém, é assunto para outra discussão.

Leio o artigo do site Exame http://abr.ai/1eH2F7a

Ver, ler, ouvir

Jazz com Jamie Cullum na BBC Radio de Londres

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O cantor e pianista Jamie Cullum, que mistura jazz com música pop e rock brilhantemente, regularmente tem um programa de rádio pela BBC Radio de Londres em que mostra seu amor pelo jazz assim como apresenta novos nomes desse cenário ou com entrevistas ou sessões ao vivo. Nesse último programa, além de tocar suas canções clássicas prediletas, Jamie apresenta trabalhos interessantes que estão para sair nos próximos meses.

Clique no link para ouvir http://bit.ly/JamieCullumBBC

Entre eles está o novo trabalho do pianista Brad Melhdau em parceria com o baterista Mark Guiliana, o disco “Taming the Dragon”. Interessante notar que Brad deixa um pouco de lado o piano orgânico para dar espaço a sintetizadores e um piano elétrico Fender Rhodes. Veja o clipe dessa música aqui (gravado ao vivo).

100 anos de samba no Canal Brasil

cSerá que o nosso Samba irá ganhar um belo documentário aos moldes de “Jazz” de Ken Burns? Desvendando os primórdios, seus grandes compositores e falando de sua influência na cultura brasileira? Com vários episódios? Espero que sim. Pelo menos, é o que promete ao ler (parte) da sinopse:

“O programa levanta discussões sobre a história e as influências do gênero, considerado um patrimônio cultural do país desde 2007. A série é assinada pelo jornalista Guilherme Bryan e pautada pelo crítico musical Tárik de Souza, apresentador do MPBambas.”

Estreia domingo, dia 26, às 21:30 no Canal Brasil

Clique no link para ter mais informações http://bit.ly/100anosdesamba

Michel Gondry e comercial para a Gillete

Michel GondryNão bastasse ter dirigido um de meu filmes de prediletos (Brilho eterno de uma mente sem lembrança) Michel Gondry produziu um comercial para a Gillete  em que fez música com som de atletas malhando. Sons mixados de pessoa pulando corda, socando um saco de pancada, levantando peso e etc, dentro de um andamento de tempo, resultaram em música. Não é nada novo, claro, essa coisa de juntar elementos inesperados para construir um música. É só vermos, para ficarmos num exemplo só, uma apresentação do grupo Stomp, com suas músicas feitas com vassouras, latões, pés, jornais, e perceberemos que esse recurso já é usado desde muito tempo atrás.

O motivo que me fez escolher esse comercial, é pelo fato de que um dos exercícios que se pratica em educação musical é o de percepção sonora, para que aprenda a “afinar” o ouvido e conseguir distinguir os sons ao nosso redor. Isso me faz lembrar de uma entrevista com o lendário pianista de jazz Dave Brubeck* em que dizia notar sons ao redor, pra outros ruídos, o seu andamento, imagina-los dentro de um compasso e criar melodias mentalmente com isso.

Obs: não pude encontrar o vídeo da  entrevista com Dave Brubeck em nenhum site para posta-la aqui. No entanto, se quiseres assisti-la, a entrevista faz parte da edição especial do disco “Time Out – Legacy Edition” lançada em 2009, contendo dois Cds (estúdio e ao vivo) e o DVD contendo a entrevista, lançado em comemoração aos 50 anos de lançamento do mesmo.

Veja o comercial feito para Gillete